
Foi assim, como está nesta fotografia, que conheci a Luz Franco. Actriz do teatro nacional, dramaturga, escritora e encenadora. Deixou uma vasta obra escrita. Deu-se o acaso de toda essa obra estar agora em meu poder e de ter eu a tarefa de a compilar e dar à estampa aquilo que a estampa considerar digno de ser estampado. A Luz morreu cedo de mais (52 anos). Foi a Luz que me apresentou aquela que veio a tornar-se minha mulher. A Luz era tia (quase uma irmã porque tinham pouca diferença de idade) da minha mulher e foi por isso que também a acompanhei nos últimos momentos de vida. Tenho pena (até uma certa raiva) que todo aquele talento tenha sido desaproveitado. A Luz publicou uma peça, ganhou um prémio nesse ano e nunca mais publicou nada. Encenou uma peça, teve grandes elogios da crítica e nunca mais encenou nada. Toda a vida dela foi um pouco assim. Chegar ao topo e perder o interesse. Porém, manteve-se uma pessoa genial até ao fim. Mordaz e sarcástica com a eminência do seu próprio fim. Na verdade, viveu a vida como quis. Como ela própria me disse um dia "há pessoas que não têm capacidade de serem felizes" referindo-se a ela própria. Nesta tarefa que me veio para às mãos de ajudar a minha mulher a arrumar as coisas da Luz fiz uma viagem pela vida dela. Encontrei muitos vestígios de felicidade. Picos de uma vida cheia e com bocadinhos intensamente vividos. Infelizmente não acredito na vida depois da morte ... sinto por isso que com com a "falta da Luz" ficámos todos mais "às escuras". Até sempre ....
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